Carnaval: especialistas alertam para cuidados com a saúde bucal durante a folia
Beijos, aglomerações, consumo de álcool e poucas horas de sono fazem parte do Carnaval, mas também exigem atenção redobrada com a saúde bucal. Durante o período festivo, o aumento do contato entre pessoas favorece a transmissão e a manifestação de doenças da cavidade oral, muitas vezes subestimadas pelos foliões.
“Existem alguns cuidados básicos que podem evitar uma série de problemas e surpresas desagradáveis para a saúde bucal. E é importante ressaltar que, após o Carnaval, caso o folião note lesões, bolhas, aftas, manchas brancas/avermelhadas dentro da boca ou nos lábios e sangramentos na gengiva é de extrema importância procurar um dentista com urgência”, orienta a cirurgiã-dentista, Aline Lima.
A profissional, que é coordenadora do curso de Odontologia da Estácio Volta Redonda, enumera então algumas dicas de segurança bucal para curtir a folia:
• Não abra latas e embalagens com os dentes: usar os dentes como ferramenta não é uma boa ideia, pois pode causar fraturas e traumas;
• Use protetor solar labial: isso evita queimaduras e ressecamento;
• Atenção ao beijo: se estiver com feridas na boca é necessário evitar beijos para não transmitir doenças e uma possível infecção cruzada;
• Não compartilhe bebidas no mesmo copo, lata ou garrafa; evitando assim a troca de fluidos que podem conter vírus, fungos ou bactérias;
· Atenção às bebidas ácidas, energéticos, refrigerantes e drinks cítricos: bebidas que têm pH baixo podem causar erosão do esmalte dentário. Uma boa dica é fazer um bochecho com água após o consumo;
· Beber bastante água ajuda a manter o equilíbrio da boca e reduzir riscos;
• Faça uma revisão com o dentista antes de curtir o Carnaval para sua segurança;
• Ao voltar da folia, higienize os dentes com fio dental, escova de dentes e enxaguante bucal.
“O Carnaval aumenta o contato próximo, então a prevenção é essencial. Além de todos esses cuidados citados, é importante também lembrar do uso de protetor solar facial, para prevenir manchas e envelhecimento da pele, acrescentando ainda um boné ou um chapéu”, finaliza a profissional.
Doença do beijo
Laís Guimarães, cirurgiã-dentista e professora do curso de Odontologia da Estácio, destaca que o beijo é uma das principais formas de troca de saliva, fluido que abriga uma grande diversidade de microrganismos. “Associado ao cansaço físico, à desidratação, ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas e à queda da imunidade, esse contato cria um cenário propício para infecções bucais”, explica.
Entre as condições mais comuns está o herpes simples labial, causado pelo vírus HSV-1. O vírus pode permanecer latente no organismo e ser reativado em situações de estresse e baixa imunidade, comuns durante o Carnaval. “Lesões ativas são altamente transmissíveis. Por isso, o ideal é evitar beijos e procurar orientação profissional ao perceber os primeiros sinais”, alerta a docente.
Outra infecção associada ao contato salivar é a mononucleose infecciosa, conhecida como doença do beijo. Embora não seja exclusivamente oral, pode apresentar sintomas iniciais na região da garganta, como inflamação, dor e aumento dos gânglios, sendo muitas vezes identificada em atendimentos odontológicos de urgência. A candidíase oral também pode surgir ou se agravar nesse período, especialmente em pessoas que consomem muito álcool ou apresentam desidratação. Placas esbranquiçadas, áreas avermelhadas e sensação de ardência na boca são sinais de alerta e devem ser avaliados por um cirurgião-dentista.


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